Amiga, deixa eu te dar um abraço virtual antes de qualquer coisa. Eu sei exatamente o que é aquele suspiro profundo que a gente dá quando termina de passar o último pano no sofá, troca o tapete, limpa o chão… e cinco minutos depois, lá está: uma mancha de fruta, um farelo de biscoito, um brinquedo espalhado.
Hoje aconteceu comigo. Eu arrumei tudo. Estava aquele cheirinho de limpeza delicioso. Aí veio o “tô com fome”. Dei uma frutinha e, em segundos, a limpeza se foi. A raiva subiu, o grito quase escapou e eu me peguei pensando: “Por que eu estou brigando com um bebê de 3 anos por causa de um chão que pode ser limpo de novo?”.
Se você já se sentiu uma “mãe monstra” por perder a paciência com a bagunça, senta aqui. Vamos olhar para isso com os olhos de quem busca o Reino.
O Olhar Científico: Por que eles “não entendem”?
Às vezes, a gente acha que a criança está nos afrontando. Mas a ciência nos traz um alívio enorme.
O Cérebro em Construção
Aos 3 anos, o Córtex Pré-Frontal (a parte do cérebro responsável pela lógica, controle de impulsos e previsão de consequências) é extremamente imaturo. Quando seu filho pega o biscoito e senta no sofá que você acabou de limpar, ele não está pensando: “Vou sujar para deixar minha mãe triste”. Ele está operando no “aqui e agora”. O cérebro dele só diz: “Estou com fome, este lugar é confortável”.
A bagunça não é rebeldia; é imaturidade neurológica. Para eles, comer é uma exploração sensorial. Para nós, é caos.
O Estresse Visual e o Cortisol
Sabe por que a gente sente aquela raiva física? A desordem visual aumenta os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) no cérebro feminino. A casa limpa nos dá uma falsa sensação de controle sobre a vida. Quando a criança suja, sentimos que perdemos o controle. O nosso grito costuma ser uma defesa do nosso cérebro estressado, e não uma ferramenta educativa. Estamos brigando pela nossa necessidade de controle, não pela educação da criança.
O Olhar Bíblico: O Boi, o Celeiro e a Colheita
Deus, em Sua infinita sabedoria, deixou um versículo em Provérbios que deveria estar colado na porta da nossa geladeira:
“Onde não há bois o celeiro fica limpo, mas a força do boi produz grande colheita.” (Provérbios 14:4)
Pense nisso: um celeiro sem bois é impecável. Não tem cheiro ruim, não tem sujeira, não tem palha fora do lugar. Mas um celeiro vazio é um celeiro morto. Não há colheita, não há vida, não há sustento.
Nossos filhos são os nossos “bois”. Eles dão trabalho? Sim. Eles sujam o “celeiro” (nossa casa)? O tempo todo! Mas é através dessa “sujeira” — desse convívio real, dessa vida pulsante — que Deus está gerando uma colheita eterna. Se você quiser uma casa de revista, terá que abrir mão da vida que Deus colocou nela.
Idolatria da Ordem vs. O Lar de Graça
Às vezes, transformamos a organização em um ídolo. Queremos que nossa casa seja um templo à nossa eficiência, mas Deus nos chamou para construir um lar de graça.
Quando exigimos perfeição de uma criança de 3 anos, estamos sendo legalistas. Deus tem uma paciência infinita com as nossas “sujeiras” diárias (nossos pecados recorrentes). Como podemos não ter paciência com o aprendizado deles?
Conclusão: Escolhendo Memórias em vez de Museus
O psicólogo Donald Winnicott falava sobre a “mãe suficientemente boa”. Não precisamos ser perfeitas. Uma casa onde a limpeza vale mais que a paz torna-se um ambiente opressor.
Se o preço do tapete limpo é uma mãe gritando e uma criança retraída, o preço está alto demais. O tapete você lava amanhã (ou pela quarta vez hoje), mas o coração do seu filho você precisa cultivar agora.
Não permita que a busca por uma casa imaculada roube a alegria da sua maternidade. O farelo no chão é sinal de que há vida, há saúde e há uma colheita sendo preparada.
Que o Senhor Jesus Cristo nos conceda a graça de olhar para nossos filhos com os olhos do Pai. Que Deus Pai nos lembre que Ele nos ama mesmo quando sujamos nossa caminhada. E que o Espírito Santo nos dê o fruto do domínio próprio para trocarmos o grito pelo abraço, lembrando que o nosso maior tesouro não está guardado em armários organizados, mas no coração de quem nos chama de “mamãe”.
Amém!







